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Mostrando postagens de Março, 2014

CALVINO QUE VOCÊ (DES)CONHECE

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"A História, já dizia um mestre, é a disciplina que melhor desenvolve consciência crítica".  (2010,p.194)

Antes de discorrermos sobre o título proposto, deve-se dizer que a história nos mostra claramente que o substantivo "tolerância", cujo verbo é "tolerar" era uma palavra (ao que tudo indica) desconhecida não só de Martinho Lutero, mas também de Calvino. 



De acordo com Milton Schwantes em um dos seus comentários sobre Martinho Lutero (vídeo acima) em o que ele fez de Bom, percebemos que não se trata de acusação infundada e leviana, pelo contrário temos como testemunha a própria história que nos ajuda a constatar tais afirmações.
Como já dito, deixo essa introdução sobre Martinho Lutero como uma provocação inicial para aqueles que desejam iniciar-se em questões mais históricas sobre o assunto. 
Para um leitura mais situada, separei para você amigo(a) leitor(a) um artigo científico que ajuda esclarecer o assunto sobre Lutero e o antissemitismo. Caso tenha int…

INVEJA

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INVEJA, NEM SEI O QUE É ISSO? 
Refinando os conceitos...


A presente reflexão não pretende esgotar o assunto, pois o tema é prolixo, porém quero ressaltar alguns aspectos da inveja como um sentimento inicialmente carnal e Anti-Deus, sublinhando que a inveja nasce especificamente da ingratidão humana em relação ao favor absoluto de Deus para com todos na distribuição de suas dádivas. 
A tradição católica classificou a Inveja como um dos 7 pecados capitais.
FRASES SOBRE A INVEJA:
Os rabinos dizem que os seres humanos têm inveja de todos, exceto de seus filhos e discípulos”.
Napoleão Bonaparte costumava afirmar que "a inveja é um atestado de inferioridade".
Martinho lutero disse que a "ingratidão, a soberba e a inveja são animais ferozes,quando mordem, deixam feridas profundas."
ENTENDENDO A INVEJA:
Mas o que é a inveja senão um sentimento de tristeza perante o que o outro tem e a própria pessoa não tem. É exatamente a inveja que gera o desejo de ter o que a outra pessoa…

GANZ ANDERE

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“O Céu revela por seu próprio modo de ser, a transcendência, a força, a eternidade.Ele existe de uma maneira absoluta, pois é elevado, infinito, eterno, poderoso”. (Mircea Eliade 1907-1986)
Ganz andere” é uma expressão inspirada pelas ideias do teólogo protestante Rudolf Otto (1869-1937) e que aparece na introdução do clássico “O Sagrado e o profano: a essência das religiões” de autoria de Mircea Eliade.
O sentido da expressão aponta para aquilo que é grandioso e “totalmente diferente”.
Em relação ao “Ganz andere”, o homem tem o sentimento de sua profunda nulidade, o sentimento de não ser nada mais do que uma criatura, segundo os termos com que Abraão teria se dirigido ao Senhor – de não ser senão cinza e pó (Gen: 18:27). “Ganz andere” se identifica com aquilo que o homem religioso interpreta como a materialização extrema do sagrado. Uma experiência possível de ser experimentada ao se observar durante a noite a imaginária esfera celeste com seus infinitos pontos luminosos. 
Desde a sua…

O QUE É LAICISMO?

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Não se pode falar de religião sem abordar o princípio do laicismo. Ele é, com efeito, a concretização de uma história milenar das relações entre Igrejas e o Estado, entre o Vaticano, os reis e os imperadores, entre o poder clerical e o poder político.

O laicismo não se decreta de um dia para o outro. Ele deve ser compreendido antes de ser imposto. É um gosto adquirido pela liberdade individual, e não resulta de um tabu.

Além disso, o termo "laicismo" vem do latim laicus, que não tem equivalente nem em inglês, nem em alemão, nem em árabe, nem em hebreu.

Laicismo não é ateísmo. Não é ausência de religião, mas a separação entre o poder temporal das instituições políticas e o poder intemporal das diversas religiões. Um espaço laico é um espaço neutro que não se opõe a nenhuma filosofia nem a nenhuma crença. A neutralidade do laicismo é a garantia de um tratamento equitativo e igualitário das crenças, sejam quais forem. Mas isso não implica a aceitação na esfera pública de culto…

ÁGUIA OU GALINHA?

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Esta é uma história que vem de um pequeno país da África Ocidental, Gana, narrada por um educador popular, James Aggrey, nos inícios deste século, quando se davam os embates pela descolonização. Oxalá nos faça pensar sempre a respeito.



"Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. 

Colocou-o no galinheiro junto às galinhas. Cresceu como uma galinha. 

Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista.

Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista: 

- Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia. 

- De fato, disse o homem.- É uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais águia. É uma galinha como as outras. 

- Não, retrucou o naturalista.- Ela é e será sempre uma águia. Este coração a fará um dia voar às alturas. 

- Não, insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia. 

Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, e…

FÉ E RELIGIÃO

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Luiz Felipe Pondé, que é professor de Ciências da Religião na PUC-SP, conversacom o teólogo Ed René Kivitz, o gerente de TIateu Jaime Alves, o católico praticante Italo Fasanella e Ma Dhyan Bavhia, o vídeo apresenta a discussão sobre a Fé. Falar de religião é uma forma de interrogar sobre a condição humana; é caminhar entre a fé e a razão.






Por Paulo Mazarem
Não há dúvidas de que entre Fé e Religião há um senso e concomitantemente um dissenso, enquanto para uns fé e religião são a mesma coisa, para outros fé e religião são inimigas mortais. 
O presente texto aqui tem por finalidade problematizar a questão e clarificar ao mesmo tempo o assunto, tendo ciência por antecipação que para se compreender ambos os termos é necessário no minimo universalizá-los e relativiza-los para criar categorias de análise que supram a insuficiência existente nos limites de um só saber religioso, quase sempre dogmático.
Por essa razão livrar-se de toda "Meta-carga-teórica" é indubitavelmente um impe…

OS IMPERATIVOS DO FILOSÓFO ALEMÃO PETER SLOTERDIIJK

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Viver implica transformar-se para aceder ao estatuto do sábio. É necessário um novo movimento reformador em escala global, o qual apresente uma dimensão ecológica e ética a serviço da visibilidade do planeta. Encontro-me naMilanesiana com o filósofo alemão. O humanismo confiado às “letras” – diz – está definitivamente morto. A componente “bestial” do homem está sendo domesticada usando outros meios.
A reportagem é de Marco Dotti, publicada no jornal Il Manifesto, 28-06-2009. A tradução é de BennoDischinger.




Os livros, observa o poeta Jean Paulo, “são longas cartas que enviamos aos amigos”. Em 1999, na abertura deRegras para um parco humano, ensaio extraído de uma conferência sobre Heidegger e destinado a provocar não poucas polêmicas no contexto das reflexões sobre a bioética e a natureza humana, Peter Sloterdijk não parava de citar um dos autores que, em seu dizer, melhor encarnariam o espírito e os limites do humanismo moderno e contemporâneo, aquele humanismo baseado numa “ética do a…