EVANGELIZANDO FILÓSOFOS E CIENTISTAS



Encontrar-se com Cristo é ter como auto-referencialidade o evangelho. É converter a(s) prolixidade(s) da existência em peroração de vida.
É ressignificar a(s) prolepsis[1] (epicurismo), os imprintings (Morin), os hábitus (Bourdieu), em suma é reinventar-se epistemológico, é um des-situar-se das localizações existenciais concatenadas ao espaço e tempo (cronotopia) linear tipicamente  ocidental. 

Encontrar-se com o verbo  é transcender os metapsiquismos e as concepções psico-mitológicas, rompendo com a religiosidade líquida (Bauman)  oriundo de um Zeitgeist, (Hegel) onde até os niilismos (Nietzsche) são resignificados como um sentido que dá sentido para a vida humana. 

Encontrar-se com o logos, é transformar-se em um transeunte, em um flânour que aprecia toda criação obra das mãos de GADU, alcançando a ataraxia tão sonhada por todos nós.

OREMOS:

Shem-há-Meforesh que todo epistemicídio cartesiano seja substituído nessa mente pela ecologia dos saberes.
Que a física quântica nos auxilie na compreensão do mundo subatômico e que a proposta Newtoniana seja considerada apesar de pensar o mundo unicamente através do concreto.

Que a neurociência não seja tratada como charlatã por decodificar e mapear as areas do cérebros que pensam em ti quando oramos e meditamos.  

Que possamos encontrar na nanotecnologia a descoberta para as doenças que assolam as criaturas que tu mesmo pensastes.

Não atentes, para as feridas narcisícas provocadas pela humanidade, a saber: cosmológica (Newton) –biológica (Darwin) e psicanálitica (Freud).

Traga conforto a comunidade científica e aos filósofos unívocos e nos ensine a apreciar a diversidade, o pluralismo dos saberes, das experiências culturais da terra, gera uma nova consciência nos homens, que haja uma dialogia Bakthiniana entre o “eu e o outro”, que a ética proposta por Lévinas da alteridade nos torne mais empáticos em relação ao nosso semelhante.

Tu que fostes evocado por Spinosa e por Einstein e crido por eles como um “Ser” panteísta e deísta, mesmo intervindo na história daqueles  que te invocaram e que tu os respondestes na aflição, não o consideram.

Tu que és adorado pelos ateus que integralizam às suas crenças sem saber que o absoluto procede de ti.
Tu que não podes ser morto, por que (Deus) não morre, desconsidere o enunciado de Nietzsche que foi mal interpretado pelos cristãos, o antropomorfismo pregado por  Xenófanes que só queria entender o modus pensandi divino e a projeção pensada por Ludvig Fuerbach que ensinou que nós somos os responsáveis por tua criação.

Também oro, por Imanuel  Kant que tentou confiná-lo dentro dos limites da razão, e que mesmo não estando mais entre nós, permanece vivo no universo acadêmico através de suas ideias.
Por  Marx que considerou a crença em ti em um narcótico que aliena os homens impedindo-os de fazer revolução.

Guarda-nos do Calvinismo que marionetiza o sagrado, a vida humana, tornando pessoas em seres incapazes de escolher o bem, criando abismos entre o céu e a terra que eles mesmos não podem tapar, danando tudo aquilo que o Senhor já santificou, provocando violência simbólica por meio de seus embaixadores que servem-se de uma viseira teológica míope e reducionista. 

Proteja-nos daqueles que tentam colocar dentro de um copo d’água (mente-humana) todas as águas dos oceanos (sabedoria divina). Insistindo em concepções soteriológicas infra e lapsarianas, desconsiderando a encarnação do verbo, caindo em binarismos que mais atrapalham do que auxiliam a dialética.

Enfim, que as nossas utopias não nos impeçam de caminhar e de tornar realidade tudo aquilo que é um sonho. Que a nossa mediocridade intelectual não nos prive de adentrarmos em dimensões paralelas a que estamos habituados, espaços de tua habitação. Ensina-nos a pensar sempre a partir de universais e não apenas de particulares.

Assim oramos, Livra-nos da ignorância, mãe dos que vivem em trevas e ilumine-os com o teu conhecimento.

Em nome de Jesus Cristo. Amém


Paulo Mazarem     
São José
22 Fev. 2017




[1] Prolepses- repetidas experiências dos sentidos, preservadas pela memória, doutrina epicurista.



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