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QUANDO O MITO SE TORNA HISTÓRIA

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       Paulo Mazarem* FICHAMENTO DO TEXTO DE LÉVI- STRAUSS O tema apresenta dois problemas para o mitologista. O primeiro é um problema teórico de grande importância, porque, quando se examina o material publicado na América do Sul, na América do Norte e em outras partes do mundo, parece que esse  material é de duas espécies. p. 34 As vezes os antropólogos recolheram mitos [...] histórias desconexas [...] outras vezes, como na região dos Vaupés, na Colômbia, encontram-se histórias mitológicas muito coerentes, todas divididas em capítulos, que se seguem uns aos outros numa ordem mitológica. p. 34 Tem-se precisamente o mesmo problema com a Bíblia, por que parece que o seu material de base era formado por elementos desconexos que depois foram reunidos por filósofos conhecedores para tecer uma história contínua. p. 34 O segundo problema, embora ainda teórico, é de natureza mais prática. No passado, digamos nos fins do século XIX e nos prin...

SEM RELIGIÃO E SEM RELIGIOSIDADE?

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“Existem sistemas políticos ateus, mas não existem civilizações ateias”. N. Berdiaeff  “O homem a-religioso no estado puro é um fenômeno muito raro, mesmo na mais dessacralizada das sociedades modernas. A maioria dos sem religião” ainda se comporta religiosamente, embora não esteja consciente do fato. M. Eliade [1] Crer sem pertencer. H. Léger [2] Paulo Mazarem* Em ciências da Religião o termo Religião já não é mais um termo designativo, como sendo produto de uma única cultura, (talvez nunca fora), justificando-se obviamente pelo monopólio epistemológico do qual a igreja católica foi mentora e guardiã, por muito tempo (15 séculos aproximadamente).  Pra se ter uma ideia no passado era inconcebível pensar em alguém sem religião no Ocidente.  Na Europa do século XVI [3] , o ateísmo não era apenas uma realidade distante, mas algo literalmente inimaginável. Assim, o ateísmo foi viável linguisticamente no Ocidente, somente a partir do séc. XVII ...

O POETA EQUIPADO

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      Paulo Mazarem* Paulo Leminski foi um poeta, escritor, tradutor e professor brasileiro e nasceu no dia 24 de agosto de 1944 na cidade de Curitiba e faleceu no dia 07 de junho de 1989 aos 44 anos de idade. Meu objetivo aqui é introduzir você amigo(a) leitor(a) ao pensamento desse grande poeta brasileiro que muito contribuiu com suas poesias para a reflexão do pensamento daqueles que vivem para a vida a pura, crua e nua. Devo dizer que meu contato com ele se deu por coincidência, estava pesquisando um teórico chamado Paul Rabinow conhecido por sua obra: “A antropologia da Razão” e sua frase: “é preciso, antropologizar o Ocidente”, quando num site de busca google, aparece um video no youtube, chamado: [Poema] A Lei do Quão- Paulo Leminski:                                                             ...

REDES X COMUNIDADES

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Paulo Mazarem [1] Não acredito na ingenuidade dos conceitos. Penso como dizia um velho filólogo [2] alemão que a etimologia é produzida pelo(s) poder(osos), com a finalidade de dominar. Assim os conceitos são criados, confeccionados, pensados e convencionado, por aqueles que detém um tipo de capital cultural que não só supera o "senso comum", como também suplanta e condena-o a permanecer "senso comum". Ora, não vou me ater ao étimo, mas vou desdobrar rapidamente o que pensa o sociólogo polonês Zigmund Bauman sobre o assunto. Ele entende que as redes sociais e a comunicação virtual cria uma espécie de vínculo frouxo, onde as relações estão pautadas mais na desconexão (ausência) do que conexão (presença). O próprio Bauman [3] conta que um aficionado em Facebook gabou-se para ele que havia feito 500 amigos em um dia na rede social. A resposta dele foi a seguinte, tenho 86 anos e não tenho 500 amigos. Aqui vale a pena re-lembrar, minha provoca...

ECCE HOMO- O SAGRADO

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Paulo Mazarem* "Quem experimenta a Beleza está em comunhão com o sagrado". Rubem Alves             Antes de tudo é necessário ressaltar que o sagrado e a fenomenologia, método que propõe análisar as multiplas interpretações do dado (fenômeno) tem por critério, observar o modus operandi , i, e, o modo em que ele (sagrado) se faz perceber nas mais distintas tradicões espirituais e culturais da terra, para daí suspender as respectivas significações dadas pelo sujeito para o enunciado, sinalizando a intencionalidade do dito, para assim constatar-se que a consciência é intencionalidade [1] . “De modo que o expressar da fala não está, pois, nas meras palavras, mas nos atos que exprimem, sendo todos os atos exprimíveis”. (HUSSERL, 1988, p. 13; 15). O documentário Ecce Homo- O sagrado [2] mostra que sagrado pode ser palavra, objeto ou experiência, condicionada a um tempo, lugar e espaço. De acordo com Robert Sokolow...