ENTRE A TERRA E O TRONO: UMA ANÁLISE SOCIOLÓGICA, PSICOLÓGICA E ESTÉTICA DA HORIZONTALIDADE E VERTICALIDADE NA MÚSICA PENTECOSTAL E PROTESTANTE
Paulo Massarin[1]
Resumo
A música cristã contemporânea, especialmente nos contextos pentecostais e protestantes, manifesta-se como um fenômeno complexo que transcende a dimensão estética ou litúrgica, configurando-se como expressão situada da experiência religiosa. Este artigo propõe uma análise da distinção entre duas orientações predominantes: a horizontalidade, marcada por narrativas de sofrimento, provação e superação, e a verticalidade, centrada na adoração, transcendência e soberania divina. A partir de uma abordagem interdisciplinar que articula sociologia da religião, psicologia da experiência religiosa e análise estética, investiga-se como essas formas musicais, incluindo seus ritmos, refletem condições sociais específicas, respondem a demandas emocionais e estruturam a vivência espiritual dos fiéis. Argumenta-se que a música horizontal funciona como instrumento de reconstrução simbólica da dignidade em contextos de vulnerabilidade, enquanto a música vertical promove descentralização do eu e orientação transcendental. Ressalta-se, contudo, que tal distinção constitui um modelo interpretativo não totalizante e que ambas as orientações coexistem em todos os ambientes, ainda que com diferentes níveis de predominância. Conclui-se que essas expressões cumprem funções legítimas, embora apresentem riscos quando absolutizadas.
Palavras-chave: música religiosa; pentecostalismo; protestantismo; sociologia da religião; psicologia da religião; estética musical.
Abstract
Contemporary Christian music, particularly within Pentecostal and Protestant contexts, emerges as a complex phenomenon that goes beyond aesthetic or liturgical dimensions, constituting a situated expression of religious experience. This article analyzes the distinction between two predominant orientations: horizontality, characterized by narratives of suffering, trial, and overcoming; and verticality, centered on worship, transcendence, and divine sovereignty. Drawing on an interdisciplinary approach that integrates sociology of religion, psychology of religious experience, and aesthetic analysis, the study examines how these musical forms — including their rhythmic structures — reflect specific social conditions, respond to emotional demands, and shape the spiritual life of believers. It argues that horizontal music functions as a symbolic reconstruction of dignity in contexts of vulnerability, while vertical music promotes self-decentering and transcendental orientation. However, it emphasizes that this framework is a non-totalizing explanatory model.
Keywords: religious music; Pentecostalism; Protestantism; sociology of religion; psychology of religion; aesthetics.
Introdução
A música cristã, longe de ser um elemento periférico da experiência religiosa, constitui uma das principais mediações simbólicas por meio das quais o fiel interpreta sua existência diante de Deus. Desde os salmos de Israel até os hinos da Reforma e as expressões contemporâneas de louvor, a música tem exercido papel central na formação espiritual, na transmissão teológica e na construção comunitária da fé. No contexto brasileiro, essa realidade ganha densidade particular, pois a diversidade social, econômica e cultural do país se manifesta diretamente nas formas musicais adotadas pelas igrejas.
Nesse cenário, torna-se possível identificar duas orientações recorrentes que auxiliam na compreensão do fenômeno: a horizontalidade e a verticalidade. A primeira organiza-se a partir da experiência humana concreta, sofrimento, escassez, injustiça, superação, e dirige-se a Deus a partir dessa condição. A segunda privilegia a transcendência divina, enfatizando a adoração, a soberania e a centralidade de Deus.
Contudo, é imprescindível afirmar que essa distinção não constitui uma chave explicativa totalizante. Trata-se de um modelo interpretativo que ilumina tendências, mas não esgota a complexidade da experiência religiosa. Há fiéis que louvam sem qualquer consciência de classe ou elaboração psicológica, movidos por uma fé imediata, existencial e não reflexiva. Reduzir a música religiosa a categorias sociológicas ou psicológicas seria incorrer em um reducionismo que empobrece o fenômeno. Assim, este artigo reconhece seus próprios limites e se propõe como leitura interpretativa, não como explicação definitiva.
Nesse sentido, a distinção entre horizontalidade e verticalidade não deve ser compreendida como correspondência direta a tradições denominacionais específicas, mas como uma tipologia funcional. A verticalidade, em particular, não constitui propriedade de um grupo histórico determinado, mas uma orientação teológica que se manifesta com maior densidade em contextos nos quais o canto congregacional assume função doutrinária e doxológica.”
1. A HORIZONTALIDADE NA MÚSICA PENTECOSTAL: EXPERIÊNCIA, SOFRIMENTO E RECONSTRUÇÃO SIMBÓLICA
A música horizontal, amplamente valorizada e presente no universo pentecostal, estrutura-se a partir da experiência concreta do fiel. Um exemplo paradigmático encontra-se na obra da cantora Damares, especialmente na canção Sabor de Mel. Em um de seus trechos mais conhecidos, a música afirma:
“Quem te viu passar na prova e não te ajudou…
quando ver você na bênção… vai se arrepender…
a tua vitória hoje tem sabor de mel.”
Ainda que aqui se cite apenas um excerto, o conjunto da canção constrói uma narrativa clara: há sofrimento, abandono, humilhação e, posteriormente, reversão, visibilidade, reconhecimento e exaltação. A prova, descrita como tendo “gosto amargo”, é reinterpretada à luz de uma vitória futura que, simbolicamente, adquire “sabor de mel”. Trata-se, portanto, de uma teologia narrativa que reorganiza a experiência da dor do fiel, não apenas no plano emocional, mas também no plano simbólico e existencial.
Nesse sentido, a horizontalidade pode ser compreendida como uma orientação teológica do canto na qual a experiência humana, especialmente marcada pela dor, pela escassez e pela expectativa de reversão, constitui o eixo organizador da linguagem religiosa, estruturando-se narrativamente a partir do sujeito e de sua trajetória.
É importante destacar que a tarefa aqui não consiste em classificar tal composição como teologicamente correta ou incorreta, nem em emitir juízo normativo sobre seu conteúdo. O objetivo é interpretativo: compreender como essa canção, bem como inúmeras outras que seguem estrutura semelhante, funciona como linguagem religiosa situada e para isso uma simples análise comparativa do repertório pentecostal contemporâneo evidenciará a recorrência desse tipo de narrativa, o que indica não um fenômeno isolado, mas um padrão expressivo consolidado.
Ora, sob a perspectiva sociológica, essa dinâmica pode ser compreendida à luz de Pierre Bourdieu, que destaca como as práticas simbólicas refletem estruturas sociais. Em contextos de vulnerabilidade, a religião funciona como mecanismo de reconstrução simbólica da dignidade. A música, nesse cenário, oferece linguagem para interpretar a própria existência.
Essa leitura encontra ressonância também em Émile Durkheim[2], para quem os rituais coletivos, incluindo o canto, produzem coesão social e reforçam o pertencimento. A música pentecostal horizontal não apenas expressa sofrimento; ela cria comunidade em torno dele.
2. DIMENSÃO PSICOLÓGICA: CATARSE, IDENTIDADE E AMBIGUIDADE
Do ponto de vista psicológico, a música horizontal exerce funções profundas. Inspirando-se em William James[3], pode-se afirmar que a experiência religiosa reorganiza a vida emocional do indivíduo.
A música atua como:
· validação da dor (“eu não estou sozinho”)
· construção de sentido (“minha prova tem propósito”)
· projeção de esperança (“isso vai mudar”)
Entretanto, essa dinâmica não é neutra. Ela pode gerar ambivalências. Em certos casos, a narrativa de reversão pode assumir contornos de vindicação simbólica, isto é, a vitória não apenas restaura o sujeito, mas expõe o outro que não ajudou. Surge, assim, o risco de uma espiritualidade marcada por ressentimento, ainda que revestida de linguagem religiosa.
3. A VERTICALIDADE NA MÚSICA PROTESTANTE: TRANSCENDÊNCIA E ADORAÇÃO
Em contraste com a orientação horizontal, a verticalidade não deve ser compreendida como expressão exclusiva de uma tradição protestante histórica, mas como uma orientação teológica do canto cristão, definida não por sua filiação denominacional, mas por sua estrutura doxológica e pela função que exerce no contexto litúrgico. Nesse sentido, trata-se de uma forma de expressão que não parte primariamente da dor, da escassez ou da necessidade, mas da contemplação do divino, deslocando o centro da narrativa do sujeito para o Criador.
Um exemplo paradigmático dessa orientação pode ser encontrado na composição de Ademar de Campos, Queremos o Teu Nome Engrandecer, na qual se afirma, em um de seus trechos mais conhecidos: “Queremos o Teu nome engrandecer […] pois só Tu és o Deus eterno sobre toda a terra e céu”. Ainda que se trate aqui de um excerto, o conjunto da canção revela uma estrutura litúrgica clara: reconhecimento da obra divina, gratidão e exaltação da soberania de Deus. Não se encontra, nesse tipo de construção, uma narrativa de travessia existencial nem a expectativa de reversão social. O movimento é outro: não é o homem que apresenta sua história a Deus, mas o homem que se posiciona diante de Deus.
Esse deslocamento é teologicamente significativo. Ele indica uma espiritualidade que se constrói não a partir da necessidade imediata, mas da resposta à revelação divina. Nesse aspecto, a música vertical aproxima-se da tradição protestante histórica, na qual o canto congregacional cumpre funções teológicas precisas: ensinar doutrina, confessar fé e conduzir à adoração. Tal configuração não é acidental, mas resulta de um projeto teológico consciente presente na Reforma, no qual o canto congregacional foi concebido como extensão da Palavra, subordinado à Escritura e orientado à edificação doutrinária da comunidade. A música, portanto, não é apenas expressão emocional, mas veículo de formação espiritual.
Contudo, é necessário um ajuste conceitual importante para evitarmos simplificações. Embora a canção de Ademar de Campos represente adequadamente essa verticalidade, não se pode situá-lo de maneira rígida dentro de uma tradição protestante histórica clássica. Sua produção está mais próxima de um movimento de louvor congregacional contemporâneo, influenciado tanto pela tradição protestante quanto por correntes carismáticas. Isso evidencia que a verticalidade se configura como uma ênfase teológica recorrente, e não como propriedade exclusiva de determinado campo eclesial.
Além disso, é importante evitar uma leitura ingênua que associe automaticamente determinadas expressões contemporâneas, especialmente no campo neopentecostal, a uma maior verticalização da adoração. Em muitos casos, o que ocorre não é um deslocamento real do homem para Deus, mas uma reconfiguração da horizontalidade, agora marcada não pela narrativa da prova, mas pela linguagem da vitória, da conquista e da afirmação do sujeito. Assim, a ausência de sofrimento explícito não implica necessariamente maior transcendência; pode, em certos casos, indicar formas mais sofisticadas de antropocentrismo religioso, nas quais a linguagem vertical é preservada, mas a estrutura afetiva e simbólica permanece centrada no sujeito.
4. DIMENSÃO PSICOLÓGICA DA VERTICALIDADE: DESCENTRALIZAÇÃO DO EU
Do ponto de vista psicológico, a música vertical produz efeitos distintos daqueles observados na música de orientação horizontal. Enquanto esta organiza a experiência a partir da dor e da necessidade, aquela promove um deslocamento do centro psíquico do indivíduo para uma realidade transcendente. Esse movimento pode ser compreendido como um processo de descentralização do eu, no qual o sujeito deixa de ser o eixo interpretativo de sua própria experiência e passa a situar-se diante de algo maior do que si mesmo.
Inspirando-se nas reflexões de William James, pode-se afirmar que esse tipo de experiência favorece estados de reverência, humildade e confiança, ao inserir o indivíduo em uma narrativa na qual o controle não está em suas mãos, mas em uma instância superior. A música vertical, nesse sentido, não apenas expressa fé; ela molda disposições internas, cultivando atitudes como entrega, gratidão e contemplação.
Além disso, essa forma de expressão tende a reduzir a ansiedade egocêntrica, uma vez que desloca o foco das circunstâncias imediatas para a natureza de Deus. Ao afirmar que Deus é eterno, soberano e digno de adoração, o sujeito relativiza suas próprias tensões e encontra um ponto de estabilidade fora de si mesmo. Trata-se de um movimento psicológico significativo, que pode contribuir para uma espiritualidade mais madura e menos reativa.
Todavia, essa dinâmica não está isenta de riscos. Quando a verticalidade se desenvolve de forma desvinculada da realidade concreta, ela pode produzir uma espiritualidade excessivamente abstrata, na qual o sofrimento humano é minimizado ou silenciado. Nesse caso, a música, embora teologicamente elevada, perde sua capacidade de dialogar com a experiência cotidiana dos fiéis, tornando-se distante, pouco encarnada e, em certos contextos, pastoralmente ineficaz.
Essa tensão revela um ponto crucial para a reflexão: a descentralização do eu não deve significar negação da existência concreta, mas sua reinterpretação à luz da transcendência. Quando esse equilíbrio se perde, a verticalidade corre o risco de se transformar em escapismo espiritual, assim como a horizontalidade pode degenerar em fechamento sobre a própria experiência. O desafio, portanto, não está em escolher entre uma e outra, mas em compreender como ambas podem se integrar de maneira saudável na vida religiosa.
5. RITMO, CULTURA E CORPO: A ESTÉTICA DA EXPERIÊNCIA RELIGIOSA
A distinção entre horizontalidade e verticalidade não se limita ao conteúdo lírico; ela se expressa também na dimensão rítmica.
Nos ambientes pentecostais, há forte presença de ritmos populares brasileiros, incluindo elementos próximos ao samba, forró e outras expressões corporais. Isso revela uma abertura cultural significativa e uma valorização do corpo como instrumento de adoração. À luz de Émile Durkheim, o ritmo intensifica a experiência coletiva, gerando participação, emoção e coesão.
Em contraste, contextos protestantes tradicionais tendem à sobriedade rítmica, privilegiando estruturas mais estáveis, harmônicas e contemplativas. Essa diferença não é meramente estética; ela reflete concepções distintas de espiritualidade.
6. LIMITES DO MODELO: CONTRAPONTO CRÍTICO E ASSIMETRIA DE PREDOMINÂNCIA
Para evitar reducionismos, é necessário afirmar com clareza, não se pode dizer que o pentecostalismo é exclusivamente horizontal, nem que o protestantismo é exclusivamente vertical.
Há músicas pentecostais profundamente teocêntricas, isso reforça que a distinção proposta neste estudo não é denominacional, mas funcional. O critério não reside na origem eclesiástica da composição, mas na sua estrutura teológica e na função que desempenha no contexto litúrgico, até porque existem composições protestantes que dialogam com a experiência humana. Contudo, uma análise comparativa revela uma assimetria de predominância.
Nos ambientes pentecostais, observa-se maior frequência de canções horizontalizadas, centradas na experiência humana e em suas demandas concretas. Já nos contextos protestantes históricos, canções explicitamente antropocêntricas são significativamente menos frequentes, sendo a ênfase majoritariamente voltada à transcendência divina.
Essa diferença não implica superioridade, mas revela tendências históricas, sociais e teológicas distintas.
Conclusão
A análise desenvolvida ao longo deste artigo permite afirmar que a música cristã contemporânea não pode ser compreendida apenas como expressão estética ou recurso litúrgico, mas como uma linguagem simbólica complexa na qual se articulam experiência, teologia e estrutura social. A distinção entre horizontalidade e verticalidade mostrou-se uma chave interpretativa fecunda, não por estabelecer categorias rígidas ou excludentes, mas por evidenciar diferentes modos de organizar a relação entre o sujeito, o sofrimento e o divino.
A horizontalidade, ao estruturar-se a partir da experiência humana concreta, revela-se como um dispositivo de elaboração simbólica da dor e de reconstrução da dignidade em contextos marcados por vulnerabilidade. Nesse sentido, ela não deve ser reduzida a um fenômeno meramente emocional, mas reconhecida como forma legítima de interpretação existencial da fé, ainda que sujeita ao risco de deslocar excessivamente o eixo da experiência religiosa para o próprio sujeito. Já a verticalidade, ao privilegiar a centralidade de Deus e a resposta à revelação, preserva a dimensão transcendente da adoração e contribui para a descentralização do eu, embora também possa incorrer em abstração quando desvinculada da realidade concreta dos fiéis.
Essa tensão evidencia que não se trata de escolher entre uma ou outra orientação, mas de compreender como ambas operam, se equilibram e, em certos contextos, se distorcem. A música cristã, nesse sentido, torna-se um espaço privilegiado de observação das dinâmicas internas da fé contemporânea, revelando não apenas preferências estéticas, mas pressupostos teológicos e configurações antropológicas subjacentes.
Além disso, a análise sugere que a distinção aqui proposta ultrapassa o campo da música e alcança a própria compreensão da experiência religiosa. Ao evidenciar que diferentes formas musicais correspondem a diferentes modos de situar o sujeito diante de Deus, o estudo aponta para uma questão mais profunda: a música não apenas expressa a fé, mas participa ativamente de sua formação. Ela não é apenas reflexo da experiência religiosa, mas também instrumento que a molda, organiza e orienta.
Por fim, reconhecer os limites do modelo não o enfraquece, mas o fortalece. Ao evitar reducionismos e admitir a complexidade do fenômeno, este trabalho se insere em uma abordagem que busca compreender, e não simplificar, a experiência religiosa. A música, situada entre a terra e o trono, permanece como um dos espaços mais ricos para a investigação das formas pelas quais o ser humano interpreta sua existência diante do sagrado — ora partindo de si em direção a Deus, ora posicionando-se diante de Deus para reinterpretar a si mesmo.
REFERÊNCIAS
BERGER, Peter. O Dossel Sagrado. São Paulo: Paulus, 1985.
BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 2007.
DURKHEIM, Émile. As formas elementares da vida religiosa. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
FRESTON, Paul. Evangelicals and Politics. Cambridge: Cambridge University Press, 2001.
JAMES, William. As variedades da experiência religiosa. São Paulo: Cultrix, 1995.
JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião. Petrópolis: Vozes, 2012.
MARIANO, Ricardo. Neopentecostais. São Paulo: Loyola, 1999.
[1] Reitor da Faculdade Mais de Cristo. E-mail: pauloreligiologo@icloud.com
[2] Émile Durkheim (1858–1917), um dos fundadores da sociologia moderna, desenvolveu uma das interpretações mais influentes sobre a religião em sua obra As formas elementares da vida religiosa (1912). Para o autor, a religião deve ser compreendida, antes de tudo, como um fenômeno social, estruturado a partir da distinção entre o sagrado e o profano e sustentado por práticas coletivas que reforçam a coesão do grupo. Nesse contexto, os rituais, incluindo o canto e a música, desempenham papel central ao produzir aquilo que Durkheim denomina “efervescência coletiva”, isto é, estados emocionais intensificados que emergem da experiência compartilhada e que fortalecem o sentimento de pertencimento. Embora sua abordagem seja fundamental para compreender a dimensão social da música religiosa, ela não pretende, nem consegue, esgotar a complexidade do fenômeno, especialmente no que diz respeito à sua dimensão teológica e transcendente.
[3] William James (1842–1910) foi um dos fundadores da psicologia moderna e um dos principais nomes da filosofia pragmatista. Sua importância está exatamente na interseção que você está explorando no seu artigo: experiência, religião e estrutura psicológica da fé.
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