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OS DOIS URSOS E A INVERSÃO DA DERIVAÇÃO

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Há a história dos dois ursos que caíram numa armadilha e foram levados para um circo. Um deles, com certeza mais inteligente que o outro, aprendeu logo a se equilibrar na bola e a andar no monociclo, o seu retrato começou a aparecer em cartazes e todo o mundo batia palmas: “Como é inteligente”. O outro, burro, ficava amuado num canto, e por mais que o treinador fizesse promessas e ameaças, não dava sinais de entender. Chamaram o psicologo do circo e o diagnostico veio rápido: "É inútil insistir. O Q.I é muito baixo…” Ficou abandonado num canto, sem retratos e sem aplausos, urso burro, sem serventia… O tempo passou. Veio a crise econômica e o circo foi à falência. Concluíram que a coisa mais caridosa que se poderia fazer aos animais era devolvê-los às florestas de onde haviam sido tirados. E, assim, os dois ursos fizeram a longa viagem de volta.Estranho que em meio à viagem o urso tido por burro parece ter acordado da letargia, como se ele estivesse reconhecend...

FILOSOFIA E EDUCAÇÃO: ELUCIDAÇÕES CONCEITUAIS E ARTICULAÇÕES. (Cap. 1)

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O autor inicia o texto abordando a práxis da educação e a base teórica da qual ela é (está) constituída. Na verdade segundo ele toda prática pedagógica é norteada por uma concepção filosófica de educação. E é exatamente sobre essa concepção filosófica que o autor vai se debruçar para clarificar conceituações que permeiam toda a discussão entre filosofia e educação.      O autor procura demonstrar que o uso trivial do termo filosofia (gera muitas vezes) não é equivalente epistemológico, isto é, de conhecimento, uma vez que o termo “filosofia” alberga em si mesmo um dilúvio de polissemias. E talvez seja esse o motivo (segundo ele) pelos quais muitos postergam ou abortam a missão de conhecer a fundo esse saber, uma vez que apenas pessoas extraordinárias e intelectuais poderiam segundo esse modo de pensar (senso comum) alcançar o verdadeiro “ [1] telos” da filosofia.       Ora, esse abandono quase sempre traz consigo aquilo que ele chama de “descréd...

A BENÇÃO DE SER IGNORANTE

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É uma blasfêmia ser inteligente onde a ignorância é sacralizada.  Paulo Mazarem Afinal de contas qual é a benção que existe na agnose ?  Diferentemente do que muitos dizem nem todo conhecimento é bom.  É preciso dizer que o ( des)conhecimento preserva a alma humana em estado de inocência ante certos eventos que delineiam a tênue trajetória da vida, seja(m) da(s) pessoas que conhecemos ou até mesmo da história humana. O que falo, é destituído de sentido valorativo, não se trata de regra, muito menos de prescrição, o que quero é sinalizar que o bem que alguém pode se permitir é o de não atravessar a fronteira de acesso ao fruto do conhecimento do bem e do mal.  O que importa, mesmo é não fazer apologia a ignorância, nem culto ao jumento! Porém onisciência é atributo divino que nos  tornaria (des)humanos, (des)almados e insensíveis dada a banalização que o conhecimento promove ao relativizar espaços, culturas e pessoas e transpor contextos.  Com i...

REFLEXÕES SOBRE A MORTE E O LUTO NA PÓS-MODERNIDADE

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"A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos". (Picasso) "Não tenho medo de morrer, tenho pena". (Chico Anysio)  O morrer para mim é lucro. (Paulo de Tarso) O que é a morte? Conclusão, fim, passagem de um mundo para outro, nada, expiração?  As religiões fornecem-nos muitas explicações para este fenômeno universal, objetivo e até onde se sabe subjetivamente único. O sociólogo Polonês, Zigmund Bauman em seu livro "Medo Liquido, cita Maurice Blanchot que diz que o homem só é homem, por que é morte no processo do devir.  Entendo que esta premissa parte obviamente de uma concepção puramente biológica, uma vez que estamos morrendo lentamente a cada dia, isso é "devir" processo de degradação constante, infalível e irreversível.  Porém, analisando o tema, sabemos que se trata de uma verdade inexorável que se apresenta como um decreto universal e uma experiência ...

ATEUS CRISTÃOS: UMA RESSIGNIFICAÇÃO CONTEMPORÂNEA DA MORTE DE DEUS.

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       A justificativa do ateísmo é sinalizada pela "Gaudium et Spes", (documento elaborado pela igreja no Concílio do Vaticano II) da seguinte forma: [...] o ateísmo, considerado no seu conjunto, não é um fenômeno ordinário antes resulta de várias causas, entre as quais se conta também a reação crítica contra as religiões e, nalguns países, principalmente contra a religião cristã.  Essa é uma das muitas descrições a respeito da causa do ateísmo.  Outros tem apontado para onipotência do mal como grande agente triunfante sobre o bem e que por sua vez, dá indícios da inexistência de um ser justo e bom. Já alguns no afã de uma existência sem normas, (anomia) constituem-se como protagonistas de seu próprio destino, demonstrando via  modus vivendi  uma inequívoca concepção de realidade absoluta - o Niilismo. Enfim, poderíamos elencar muitas causas que apontam para o ateísmo, porém quero me concentrar na via menos percorrida ou até mesmo ...

COMO IDENTIFICAR UM PSICOPATA?

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Em 1991 o psicólogo canadense Robert Hare criou o método de avaliação para diagnosticar os graus de psicopatia de uma pessoa e identificou os critérios hoje universalmente aceitos para diagnosticar os portadores desse transtorno de personalidade. Apenas no ano 2000 Escala Hare PCL-R (Psycopathy Checklist Revised) foi traduzida e validade no Brasil.  Em Mentes perigosas, a Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva revela esse sombrio transtorno de personalidade que acomete cerca de 4% da população mundial. A mesma é Médica graduada pela UERJ com pós-graduação em psiquiatria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).  Mas, afinal quem são os psicopatas? Psicopatas são sujeitos com um padrão permanente de déficit afetivo, em conjunto com um prejuízo do respeito aos direitos alheios (apud, Mosqueira et al., 2004). Caracterizam-se essencialmente por apresentar um padrão de comportamento regido pela falta de confiança e de sentimentos por outrem, [...].  1) MANIPU...

TRADIÇÃO ORAL E OS GRIOTS

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História geral da África, I: Metodologia e pré-história da África / editado por Joseph Ki ‑ Zerbo. – 2. ed. rev. – Brasília : UNESCO, 2010. p.169- 212. FICHAMENTO Quando falamos de tradição em relação à história africana, referimo-nos à tradição oral [...] p. 167 Essa herança ainda não se perdeu e reside na memória da última geração de grandes depositários, de quem se pode dizer são a memória viva da África.       p. 167 Para alguns estudiosos, o problema todo se resume em saber se é possível conceder à oralidade a mesma confiança que se concede à escrita [...]. p. 168 Antes de colocar seus pensamentos no papel, o escritor ou o estudioso mantém um diálogo secreto consigo mesmo. Antes de escrever um relato, o homem recorda os fatos tal como lhe foram narrados ou, no caso de experiência própria, tal como ele mesmo os narra. p. 168 Nada prova a priori que a escrita resulta em um relato da realidade mais fidedigno do que o testemunho oral ...