PENTECOSTALISMO E PROTESTANTISMO NO BRASIL: UM SÉCULO DE CONFLITOS, ASSIMILAÇÕES E MUDANÇAS

                                                                 





É impossível não perceber como a religião pentecostal se replicou, se fragmentou e metamorfoseou-se dada as muitas dissidências dos 100 anos para cá.
Desde o sua gênese com a chegada dos missionários Daniel Berg e Gunner Vingren (Assembleia de Deus)  e Luis francescon (congregação Cristã), movimentos cognominados por sua antiguidade de pentecostalismo clássico passaram por profundas reatualizações especificamente no cenário brasileiro.

Temos a análise sociológica de que tais movimentos se ressignificaram e substituíram as suas ênfases iniciais por ênfases que correspondam cada vez mais a uma espécie de anseio popular ou aquilo que os próprios especialistas na área de pesquisa chamam de pragmatismo, porém trataremos mais para frente desse modelo sobretudo eficaz que veio para se adequar à religião cristã.

De acordo com o sociólogo "Paul Freston" as ondas teriam sua gênese a partir dos clássicos até uma terceira onda batizada por outros sociólogos de neo-pentecostalismo.

Embora as terminologias mudem as manifestações de cada movimento geram interpretações e produções literárias significativas no âmbito acadêmico.

Evidenciando através de suas fenomenologias e analogias entre os seus congêneres um acirramento que surge desde a oralidade (discurso teológico), a práxis (vivência e prática) bem como à incorporação semiótica de outras culturas religiosas que estão para além do repertório eclesiástico seja ele qual for, (católico, afro ou indígena). É por razão desse sincretismo que surgirão as dissidências, cisões e mutações no pentecostalismo.

É válido lembrar que o autor enfatiza o pentecostalismo e sua produção de bens religiosos na tentativa de sinalizar a alteridade entre os movimentos históricos, isto é, o protestantismo histórico cujo arcabouço compreende movimentos conhecidos como batistas, presbiterianos, congregacionais e metodistas. 

Dada a dissolvência dos grupos e de sua readaptação ante a mutação social decorrente da pós modernidade o leitmotiv da persistência dos grupos está associada a sua capacidade de auto regulação, isto é, de ler o Zeitgeist de sua época e se atualizar a ele sem perder a nervura estrutural de seu surgimento.

É exatamente essa via que o pentecostalismo vai percorrer tendo na IURD, a expressão máxima desse desdobramento religioso que inicia-se com as explosões avivalistas da 2
 ª onda (templo-tenda) “presbiterianismo ao Brasil para Cristo” até o presente momento (mega-templos) e (mídia radiofônica e televisa) com a IURD.

Porém diante de todo esse imbricado processo religioso de continuidade e rupturas, a pergunta que prevalece é aquela a respeito dos movimentos de origem histórico protestante, é salutar interrogar sua subsistência dada a sua não adaptação social (com a religiosidade do povo)  e confrontar os dados de crescimento ininterrupto de tais movimento que crescem em números cada vez mais, deslocando fiéis de espiritualidade que enfatizavam o culto a cultura letrada e que agora estão migrando para tais movimentos de espiritualidade pragmatista que respondem as necessidades e anelos do presente tempo, é claro que a mudança ocorre em escala diminuta,  porém ocorre, por razão da gratificação não mais escatológica, mas também presente, e é por razão dessa teologia a da prosperidade que tais grupos estarão em vantagens significativas em relação aos grupos congêneres.

Enfim qual será o futuro do protestantismo histórico, as possíveis mutações vão de protestantismo pentecostalizado à decomposição do atual campo religioso.

Porém seria ingenuidade não lembrar que o pentecostalismo também está diante de uma simbiose com o protestantismo e isso o autor aborda como muita maestria ao sugerir um pentecostalismo protestantizado.

Portanto conflitos, acirramentos, apropriações culturais e mutações marcam a religiosidade atual especificamente às de vertentes evangélicas no cenário brasileiro.



Resenha de  Paulo Mazarem,
do texto de Leonildo Silveira Campos.
    



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