CHIP, BESTA E VOCÊ?




Todos devem entender que o cristão antes de ser um cidadão dos céus é um cosmopolita. Presumo que quanto a isso já não resta(m) dúvidas.
Mas, afinal de contas e o famoso Chip é/será ou não a marca da besta?
De teorias conspiratórias a escatologia milenarista dispensacionalista o rumor que paira nos arraiais evangélicos, (principalmente entre os pentecostais) segue uma afirmativa de que, quem receber a marca 666 (número e marca da Besta) estará comprando o seu passaporte direto para as quintas das profundas do inferno!

Será que há coerência nisso?
“Danação absoluta, erradicação do paraíso, sofrimento eterno tudo isso por que alguém simplesmente interpretou o apocalipse como sendo uma declaração prescritiva da realidade”.

E o que falar da(s) besta(s) que decifra(m) o enigmático apocalipse com essa mentalidade? E os anti-evangélicos que vivem um anti-evangelho, pregando um pseudo-evangelho e servindo “sem marca e sem besta” um anticristo do qual nem o próprio Cristo (re)conhece?

Ora, deve-se dizer, que a marca, o chip e o código que ofende(m) os céus é/são aqueles que dos quais não mencionamos.
A marca de um anti-cristo é caracterizada pela testa (pensamento) e mãos (obras) que promovem um verdadeiro ateísmo cristão, ainda que este professe e declare em todos os cultos e reuniões eclesiásticas que nada é maior do que seu amor por Jesus.

O chip que os crentes temem no corpo tem haver com a tecnologia que zumbifica a alma, tornando-nos seres tecnológicos não-humanos e desafetuosos para com a dor e o sofrimento humano. Já o código de barras é uma homologia para a vida humana serializada, de gado, marcada pela não reflexão (alienação) social, politica e espiritual dos quais nós mesmos somos culpados por acreditar que pão e circo trazem felicidade. O chip e esse código são marcas da besta que não pensa, nem problematiza questões metafóricas e alegoréticas, dando-se por satisfeito ao receber o(s) contentadores flop(s) hermenêutico(s) realizados em nome de Deus por indivíduos que sentem repugnância pelo “Wise up” que procedem da factibilidade epocal em que estamos inseridos, cuja leitura é equivalente e se aproxima(m) daquilo que K. Barth dizia: O cristão deve ter na mão uma bíblia e em outra um jornal.

Com isto, quero dizer que enquanto nossa alma estiver preocupada com sinais externos, chip’s, códigos de barras e performances fenomenológicas, gozaremos de uma boa prática religiosa, cuja origem é o terror, o medo e alienação apenas.

Sinceramente, não me preocupo com a marca da besta externa, perceptível aos olhos, mas tremo diante dos sinais inequívocos e das tatuagens ontológicas impetradas pela religião na consciência de individuos que deveriam já ser mestres, no entanto, não passam de meninos que coam os mosquitos e engolem os camelos escatológicos do terror. São os mesmos que se preocupam com o futuro subjetivo (de sua alma), rumo ao céu, mas que não mexem um dedo para transformar a realidade objetiva de pessoas que já vivem no inferno aqui na terra.

Mas quem está preocupado, afinal de contas com os moribundos da terra? Se o que importa é escaparmos da besta, do chip e do código, não é mesmo?


Paulo Mazarem
17 dez. 16
São José

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