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DEUS NÃO É CRISTÃO

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Paulo Mazarem*    Deve-se admitir que para um cristão (believer) essa afirmação, em certa medida, pode até gerar uma sensação desconfortável. Porém Desmond sem hes itar levanta sua voz, para dizer ao mundo, inderrogavelmente:"Deus não é Cristão". (TUTU, 2012)     A reação provocada por Desmond Tutu aos cristãos, (que certamente julgam-se detentores do divino) se faz pertinente uma vez que sua proposta é desmonopolizar o divino de um grupo de pessoas que dogmatizarão um saber teológico exclusivista e eclesioncentrista. Deus não quer, segundo ele ser patrimônio exclusivo de um grupo somente.      Acredito que a intenção é transcender (como diria Paul Tillich) aquelas reduções provincianas de análise teológica e conduzir (os leitores cristãos ou não-cristãos) aqueles que estiverem dispostos a encarar o desafio de avançar em direção a outras paisagens teológicas, religiosas e culturais. É claro que avançar aqui é um eufemismo para ou...

ROBOFILIA E A RE-INVENÇÃO SEXUAL

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E a ciência se multiplicará [...] Dn 12. 4 (K. James) Tornou-se chocantemente óbvio que nossa tecnologia excedeu nossa humanidade. Einstein Os filmes futurísticos já proscreveram através da ficção cientifica o que ocorreria no futuro, a questão é que ninguém esperava que esse futuro estivesse tão perto. Quem assistiu Eu, Robô (2004), Matrix (1999), I.A. Inteligência Artificial (2001) pode pressentir que o virtual como dissera Baudrillard anteciparia ou proscreveria o real,  estando hoje a meu ver substituindo-o.  Ora, o [1] surrealismo parece encontrar (inscrever-se) hodiernamente seu ápice na confecção ideo-real de capacetes virtuais para sexo e nas “ Sex dolls for adul” (bonecas sexuais para adultos). Quem diria que a virtualidade se transformaria em realidade ou simulacro do Real?  E o que falar em especial das bonecas sexuais robôs que estão sendo produzidas e equipadas com sensores para reagir a estímulos sexuais, sim isso já possível at...

OS DOIS URSOS E A INVERSÃO DA DERIVAÇÃO

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Há a história dos dois ursos que caíram numa armadilha e foram levados para um circo. Um deles, com certeza mais inteligente que o outro, aprendeu logo a se equilibrar na bola e a andar no monociclo, o seu retrato começou a aparecer em cartazes e todo o mundo batia palmas: “Como é inteligente”. O outro, burro, ficava amuado num canto, e por mais que o treinador fizesse promessas e ameaças, não dava sinais de entender. Chamaram o psicologo do circo e o diagnostico veio rápido: "É inútil insistir. O Q.I é muito baixo…” Ficou abandonado num canto, sem retratos e sem aplausos, urso burro, sem serventia… O tempo passou. Veio a crise econômica e o circo foi à falência. Concluíram que a coisa mais caridosa que se poderia fazer aos animais era devolvê-los às florestas de onde haviam sido tirados. E, assim, os dois ursos fizeram a longa viagem de volta.Estranho que em meio à viagem o urso tido por burro parece ter acordado da letargia, como se ele estivesse reconhecend...

FILOSOFIA E EDUCAÇÃO: ELUCIDAÇÕES CONCEITUAIS E ARTICULAÇÕES. (Cap. 1)

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O autor inicia o texto abordando a práxis da educação e a base teórica da qual ela é (está) constituída. Na verdade segundo ele toda prática pedagógica é norteada por uma concepção filosófica de educação. E é exatamente sobre essa concepção filosófica que o autor vai se debruçar para clarificar conceituações que permeiam toda a discussão entre filosofia e educação.      O autor procura demonstrar que o uso trivial do termo filosofia (gera muitas vezes) não é equivalente epistemológico, isto é, de conhecimento, uma vez que o termo “filosofia” alberga em si mesmo um dilúvio de polissemias. E talvez seja esse o motivo (segundo ele) pelos quais muitos postergam ou abortam a missão de conhecer a fundo esse saber, uma vez que apenas pessoas extraordinárias e intelectuais poderiam segundo esse modo de pensar (senso comum) alcançar o verdadeiro “ [1] telos” da filosofia.       Ora, esse abandono quase sempre traz consigo aquilo que ele chama de “descréd...

A BENÇÃO DE SER IGNORANTE

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É uma blasfêmia ser inteligente onde a ignorância é sacralizada.  Paulo Mazarem Afinal de contas qual é a benção que existe na agnose ?  Diferentemente do que muitos dizem nem todo conhecimento é bom.  É preciso dizer que o ( des)conhecimento preserva a alma humana em estado de inocência ante certos eventos que delineiam a tênue trajetória da vida, seja(m) da(s) pessoas que conhecemos ou até mesmo da história humana. O que falo, é destituído de sentido valorativo, não se trata de regra, muito menos de prescrição, o que quero é sinalizar que o bem que alguém pode se permitir é o de não atravessar a fronteira de acesso ao fruto do conhecimento do bem e do mal.  O que importa, mesmo é não fazer apologia a ignorância, nem culto ao jumento! Porém onisciência é atributo divino que nos  tornaria (des)humanos, (des)almados e insensíveis dada a banalização que o conhecimento promove ao relativizar espaços, culturas e pessoas e transpor contextos.  Com i...

REFLEXÕES SOBRE A MORTE E O LUTO NA PÓS-MODERNIDADE

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"A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos". (Picasso) "Não tenho medo de morrer, tenho pena". (Chico Anysio)  O morrer para mim é lucro. (Paulo de Tarso) O que é a morte? Conclusão, fim, passagem de um mundo para outro, nada, expiração?  As religiões fornecem-nos muitas explicações para este fenômeno universal, objetivo e até onde se sabe subjetivamente único. O sociólogo Polonês, Zigmund Bauman em seu livro "Medo Liquido, cita Maurice Blanchot que diz que o homem só é homem, por que é morte no processo do devir.  Entendo que esta premissa parte obviamente de uma concepção puramente biológica, uma vez que estamos morrendo lentamente a cada dia, isso é "devir" processo de degradação constante, infalível e irreversível.  Porém, analisando o tema, sabemos que se trata de uma verdade inexorável que se apresenta como um decreto universal e uma experiência ...